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Setembro amarelo: por que precisamos falar sobre o assunto?

No mês dedicado à prevenção do suicídio, psicóloga da Estácio esclarece os principais sinais que merecem atenção e a importância de saber ouvir quem sofre com ideação suicida
No mês dedicado à prevenção do suicídio, psicóloga da Estácio esclarece os principais sinais que merecem atenção e a importância de saber ouvir quem sofre com ideação suicida

O mês de setembro é marcado pela campanha de prevenção ao suicídio. Sim, suicídio, sem preconceitos ou medo de tocar em um assunto tão importante. Afinal, estamos falando de um grave problema de saúde pública.

 

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa morre a cada 40 segundos em função do suicídio. Viu só como não podemos dar as costas para a questão?

 

Não é proibido falar sobre suicídio!

 

É necessário! Embora esse diálogo tenha evoluído nos últimos anos, o que se vê é que o tema permanece um tabu na sociedade, reforçando o estigma por trás do suicídio. Em muitos casos, o preconceito e até mesmo a falta de conhecimento são tão presentes que nos impede de salvar vidas.

 

Isso acontece quando não percebemos sinais de alerta típicos de ideação suicida em pessoas próximas. Em paralelo, quem sofre com esses pensamentos acaba não procurando ajuda profissional porque sente medo de uma possível reprovação.

 

Portanto, esteja atento aos sinais

 

Para a professora do curso de Psicologia da Estácio Claudia Caminha, falar de ideação suicida – termo correto, segundo a especialista – demanda atenção a comportamentos que podem passar despercebidos em um primeiro momento, mas que revelam sofrimento profundo.

 

“É possível notar um recolhimento e isolamento da pessoa, além de repetições de frases como ‘a vida não vale nada’, ‘vou deixar você em paz’ ou ‘vou dormir para esquecer’. Algumas situações de risco potencializam o sentimento desses indivíduos, como desemprego, estresse pós-traumático e depressão, que acabam favorecendo a sensação de impotência. O mais importante é que eles entendam que podem contar com pessoas que os escutem, seja um profissional ou alguém da própria família”, afirma.

 

A psicóloga ressalta ainda que o ciclo social, principalmente o âmbito familiar, tem impacto direto no quadro, isso porque algumas falas agravam o estado de saúde da pessoa que sofre com ideação suicida.

 

“Estamos falando de seres que sofrem profundamente por algo, mas não sabem o que fazer com esses sentimentos e pensamentos. Por isso não adianta dizer ‘não pense nisso’, ou ‘isso é bobagem’, porque também há uma questão química por trás. Muitas vezes a família e outras pessoas em volta contribuem, sem querer, para o agravamento do quadro por meio de falas e atitudes. O ideal é estimular esse indivíduo a procurar uma avaliação psiquiátrica junto ao acompanhamento psicológico”, defende Claudia.

 

Os 4 D’s

 

Desesperança, desânimo, desespero e desamparo. Essas quatro sensações, de acordo com Claudia, são frequentes para quem pensa em suicídio. A especialista explica que alguns traços da personalidade podem acentuar essa tendência, como impulsividade, introversão e agressividade, mas que estímulos negativos da sociedade também têm seu peso, usando como exemplo o caso da “Baleia Azul”. Surgido em 2016, o jogo consistia em uma série de 50 desafios distribuídos pelas redes sociais, cujo último ato era nada menos que o suicídio.

 

“Esse episódio foi associado a um aumento de casos de suicídio no mundo, bem como a série ‘13 Reasons Why’, mostrando como certos estímulos podem ser perigosos. Felizmente, o que percebo no meu dia a dia é que vem crescendo também o número de pessoas conscientizadas sobre a situação e que procuram ajuda, pois elas sabem que vão encontrar acolhimento”.

 

Como você pode ajudar

 

Se você conhece alguém que esteja passando por situação semelhante, saiba que pode contribuir para mudar essa realidade. Não sabe como? Conforme Claudia, o principal é saber ouvir.

 

Corroborando com essa ideia, iniciativas de apoio emocional para prevenir o suicídio ganham cada vez mais força, como é o caso do Centro de Valorização da Vida (CVV). Por meio da ação, é realizado atendimento de maneira voluntária e gratuita para pessoas que querem ou necessitam conversar, principalmente nos momentos mais críticos. A conversa é totalmente sigilosa e pode ser feita por meio do número 188, e-mail e chat 24 horas, todos os dias.

 

“Esse tipo de proposta é muito importante, pois as pessoas precisam de alguém que as ouça. O Algoritmo da Vida é outra iniciativa que ajuda nesse sentido, pois chega na pessoa que necessita de amparo antes mesmo que ela busque ajuda”, enfatiza Claudia.

 

O projeto ao qual a psicóloga se refere visa identificar palavras, expressões e frases que demonstrem sintomas de depressão e de ideação suicida na internet, especialmente no Twitter. A avaliação dos termos considerados “depressivos” acontece com base em estudos de saúde mental e, curiosamente, no diário de Kurt Cobain. Para quem não lembra, o famoso cantor cometeu suicídio em 1994.

 

Após uma checagem cuidadosa, se um usuário é identificado pelo algoritmo, um perfil secreto é criado e envia uma mensagem privada para a pessoa. A partir daí, elas podem conversar e o perfil indica a melhor forma de encontrar apoio profissional.

 

Na visão de Claudia, todo tipo de ação que busque ouvir quem sofre com essa situação é válida e um importante passo para a recuperação da esperança e do ânimo.

 

“Se eu pudesse deixar uma mensagem para essas pessoas seria de que a terapia funciona e as coisas dão certo. Existe uma frase muito famosa do psiquiatra Adalberto Barreto que diz: ‘Quando a boca cala, o corpo fala. Quando a boca fala, o corpo sara’. Então é possível, sim, dar sentido à vida e ressignificar questões dentro do processo terapêutico”.

 

Sobre o Autor

Viver Bem

Viver Bem é o programa de qualidade de vida da Estácio.

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