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Empresas atentas à diversidade são mais inovadoras e lucrativas

Tente pensar em uma equipe eficiente, seja no esporte, na educação ou no mercado de trabalho. Dificilmente, o time que virá à mente será formado por pessoas muito parecidas. A diversidade, qualidade do diferente e do múltiplo, é a mola propulsora quando o objetivo é alcançar bons resultados. Isso porque cada pessoa possui um tipo de inteligência e será mais forte em um segmento do que em outro. Entram na conta também as diferenças de idade, gênero, etnia e as diversas bagagens que cada um carrega.

 

Mas como as empresas estão lidando com a diversidade?

 

O que uma empresa precisa quando se depara com um problema ou desafio do dia a dia? Acertou quem respondeu soluções criativas. E, quando culturas, visões e estilos de vida diferentes se unem, a chance de chegar a respostas e soluções inovadoras se multiplica.

 

Apesar dessa conclusão estar mais clara hoje do que há anos, um estudo do Instituto Ethos e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aponta que ainda há muito a avançar em questões de diversidade no ambiente corporativo.

 

O levantamento mostra que mulheres ocupam apenas 13,6% dos cargos de primeiro escalão e que somente 6,3% dos gerentes e 4,7% dos executivos de alto escalão são negros. Além disso, foi de 19,7% o percentual de empresas que desenvolvem programas para promover a igualdade de oportunidades para o público LGBT.

 

Quanto mais diverso o time, mais variadas serão as inteligências

 

Um estudo do psicólogo Howard Gardner, elaborado em 1982, concluiu que o ser humano tem distintos tipos de inteligência, separadas em seis áreas: linguística, lógico-matemática, espacial (típica dos engenheiros), corporal-cinestésica (essa é para quem dança), interpessoal (reis da empatia), intrapessoal (conhecedores de si), naturalística (habilidades com elementos da natureza) e musical.

 

Por isso, compor um time diverso significa integrar as múltiplas inteligências que, trabalhando em conjunto e se complementando, chegarão a soluções e resultados mais inovadores para a empresa.

 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, a cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, reafirma a importância da pluralidade ao apontar que a diversidade é um elemento-chave para qualquer tipo de inovação. A startup, que usa a tecnologia para atuar no setor financeiro, começou com um cartão de crédito sem anuidade e agora está investindo em contas online, sem agências e cobrança de tarifas.

 

- É essencial a participação de pessoas com vivências diferentes para garantir que tenhamos ideias com potencial para revolucionar maneiras antigas de pensar -, pontuou a executiva. Entre os bons exemplos, estão ainda empresas como a Sodexo, que tem uma vice-presidência global de Diversidade, e o Carrefour Brasil, onde mais de 30 transexuais ocupam cargos em unidades da rede.

 

Para ampliar esse cenário, algumas empresas recorrem a saídas como o recrutamento às cegas. As companhias ocultam os dados pessoais dos currículos durante o início dos processos seletivos. Informações sobre local de formação, idade e sexo, por exemplo, são omitidas para que não influenciem, mesmo que de forma inconsciente, na decisão do recrutador. No Brasil, já existem empresas com softwares especializados nesse tipo de seleção, como a Empregare, criada em 2014.

 

Diversidade é sinônimo de bom desempenho financeiro

 

Um levantamento da consultoria McKinsey mostra que diversidade e o desempenho financeiro empresarial andam de mãos dadas. Uma análise de 366 companhias nos Estados Unidos, Inglaterra e países da América Latina mostrou que as empresas que têm mais profissionais diversos atingem um desempenho até 35% acima da média.  ​

 

As empresas mais diversas em questões de gênero em suas equipes executivas eram 15% mais propensas a ter lucratividade acima do esperado. Com relação à diversidade étnica e cultural, os dados indicavam 33% de probabilidade de performance superior.

 

Essa relação é criada pelas soluções eficazes e inovadoras que uma equipe diversa cria. O levantamento mostra que isso se traduz automaticamente no aumento do valor da empresa. E mais: os resultados são mais fortes durante crises econômicas.

 

A sociedade mudou e o mercado também precisa mudar

 

Entre as mudanças mais significativas está o avanço da internet, que ampliou a voz de quem luta para garantir a igualdade de gênero, racial e sexual. O vídeo “Não tira o batom vermelho”, da youtuber Jout Jout, por exemplo, já passa dos 3 milhões de views. O vídeo é considerado um manifesto feminino contra qualquer tipo de opressão. Os fãs virtuais da travesti Elis Miranda, interpretada pelo ator e cantor Silvero Pereira na novela “A Força do Querer”, também ultrapassaram essa marca.

 

Por isso, na última década, os avanços sociais e econômicos reforçaram a necessidade de garantir o direito à diversidade em todas as esferas, principalmente na empresarial. Em paralelo, a economia registrou a inclusão de milhões de consumidores no mercado, sendo a maioria desse novo público formado por negros e mulheres. Se, antes, o poder de compra era exclusivamente dos homens, hoje as mulheres lideram famílias sozinhas e têm o poder de decisão em vários segmentos do mercado.

 

Além de ser uma questão básica e de respeito à dignidade humana, a aceitação da  diversidade nas empresas é garantida pela lei nº 9029, que pune companhias em casos de discriminação, com multa que pode chegar a milhões de reais. Porém, mais do que respeitar, é importante investir e trabalhar diariamente ao lado do diferente. Afinal, tudo fica melhor em ambientes mais diversos, criativos, lucrativos e longe de qualquer preconceito.