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Já ouviu falar em Compliance? Entenda como esse novo conceito está transformando as empresas

Conjunto de medidas incentiva transparência, prevenção a infrações e cria canais de denúncias relevantes nas corporações; participação dos colaboradores é essencial
Conjunto de medidas incentiva transparência, prevenção a infrações e cria canais de denúncias relevantes nas corporações; participação dos colaboradores é essencial

 

 

Se fizermos uma reunião com 100 executivos brasileiros, 96 irão afirmar que a corrupção ainda acontece no mundo dos negócios. É o que mostra uma pesquisa global divulgada neste ano pela consultoria Ernest & Young. Soma-se a esse dado os desvios financeiros revelados na política do país, além do aumento do alcance que as mídias sociais dão aos fatos.

 

Todos esses fatores têm feito o Brasil liderar o aumento da percepção de corrupção, quando comparado a outros países. Não à toa, nos últimos anos, um novo conceito ganhou força e passou a ser adotado por empresas de diferentes tamanhos: o compliance.

 

Como o compliance funciona?

 

Compliance é fazer o certo. E, para que isso se concretize nas corporações, o conceito abrange um conjunto de ações internas que incentivam e pautam o comportamento dos colaboradores - chave principal do processo - para prevenir desvios, agir de acordo com as regras e denunciar quando algum acontecimento fugir aos códigos éticos e corporativos.

 

Mas nem sempre foi tão claro assim. Há dez anos, o conceito do compliance era bem menos falado. Investir capital em outras áreas parecia ser mais rentável e importante. Porém, as mudanças do comportamento social, os escândalos de corrupção e os avanços tecnológicos vieram para mostrar como esse investimento é fundamental para o sucesso do negócio.

 

Por exemplo: você já se viu avaliando um produto de acordo com a reputação da empresa que fabricou? Esse é um hábito crescente que desperta nas corporações a necessidade de sair do discurso e ter ações e atitudes práticas que mostrem seu comprometimento ético.

 

Um dado que já reflete uma mudança da visão corporativa também está no levantamento global da Ernest Young de 2018. Nos últimos quatro anos, a quantidade de entrevistados brasileiros que acham determinadas práticas justificáveis para conquistar novos negócios - como, por exemplo, oferecer presentes, viagens, pagamentos em dinheiro e manipular demonstrações financeiras - caiu de 20% para 18%.

 

Engajamento dos colaboradores é fundamental para o compliance

 

Mas, para que o compliance seja efetivo, colaboradores devem estar plenamente envolvidos. A participação de todos é peça essencial para construir ambientes de trabalho mais íntegros.

 

Uma pesquisa da ICTS Outsourcing analisou dados do compliance em empresas, de 2007 a 2017, e mostra que, com 82% de participação, o colaborador é o principal vetor das denúncias.

 

Praticamente, 50% dos relatos desse público referem-se ao relacionamento interpessoal, mas uma parcela relevante, de 30%, faz relatos sobre má intenção e ilícitos.

 

No ranking das denúncias analisadas pela pesquisa da ICTS, os motivos aparecem na seguinte ordem:

 

  • Desvio de comportamento:8%
  • Não conformidade às políticas, normas e procedimentos internos: 21.1%
  • Práticas abusivas (assédio moral, sexual, agressão, discriminação): 8%;
  • Violação às leis trabalhistas e ambientais: 10.9%;
  • Favorecimento ou conflito de interesses: 8.7%;
  • Fraude financeira ou operacional: 6.5%;
  • Roubo, furto ou desvio de materiais: 3.0%;
  • Relacionamento íntimo - com ou sem subordinação hierárquica: 2.6%
  • Pagamento ou recebimento impróprio (suborno, propina, corrupção): 2.0%;
  • Destruição, danos ou uso indevido de ativos da empresa: 1.1%;
  • Vazamento ou uso indevido de informações: 1.0%;
  • Uso ou tráfico de substâncias proibidas no ambiente de trabalho: 0.4%;
  • Greve, paralisação ou manifestação: 0.1%.

 

Ética corporativa é cada vez mais exigida pelo mercado

 

A imagem de uma corporação que investe em compliance torna-se positiva não apenas para investidores e clientes, mas também impacta a reputação dos profissionais que fazem parte dela. Quando uma empresa está comprometida a fazer o certo e alcança resultados com o investimento em compliance, isso significa que seus colaboradores foram parte essencial do plano.

 

Ou seja, fica claro que há na corporação um time de profissionais éticos, íntegros, disciplinados e alinhados. Qualidades muito bem-vindas para um perfil profissional, independente da área, não é mesmo?

 

Por isso, as ações do compliance têm como pilar a prevenção das práticas incorretas e, nessa hora, o esforço dos colaboradores cria uma importante via de mão dupla. Na Estácio, há a disseminação das regras e dos códigos de condutada, bem como estímulo às atitudes de respeito.

– Nossos esforços estão sempre voltados à prevenção, com intuito de mostrar que o compliance é essencial para a sustentabilidade do negócio – explica Bruno Salgado, Diretor de Compliance da Estácio.

 

Sigilo e anonimato sempre garantidos

 

Apesar disso, ainda podem surgir ações desconformes dentro das empresas. Assim, todo bom trabalho de compliance prevê um canal anônimo e sigiloso de denúncias. Nesse momento, relatar algo prejudicial é decisivo, já que fazer “vista grossa” pode impactar diretamente o futuro da empresa.

 

A Lei Anticorrupção, por exemplo, que começou a vigorar em 2014, permite a punição de corporações envolvidas em atos de corrupção contra a administração pública. Antes da medida, podiam ser punidos apenas os agentes – pessoa física – flagrados em algum desvio ético, mas hoje a multa já cai em cima da empresa e pode ser de até 20% sobre o faturamento bruto anual da corporação.

 

Em suma, profissionais alinhados ao compliance garantem não só um ambiente de trabalho mais autêntico, transparente e agradável, mas contribuem para que as empresas estejam em crescimento e, consequentemente, evoluam juntos.