Skip to the content

Palavras que fazem refletir

Você já deve ter ouvido uma boa história que te fez ver uma situação por outro ponto de vista. Esse é o poder de uma Metáfora: nos fazer pensar, reorganizar nossa estrutura emocional, promover mudança, às vezes, até mesmo um sentimento de inquietude.

Algumas pessoas são hábeis na arte de contar histórias e nos fazem ficar com os olhos brilhando porque simplesmente conseguem tocar nossa alma. O escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (1843), fez isso muito bem com sua belíssima história do Patinho Feio, que conta as aventuras de um filhote de cisne, que por engano é chocado junto da ninhada de uma pata e, porque é diferente dos outros patinhos, se sente feio e literalmente um estranho no ninho, mas ao ver um cisne e se olhar no reflexo da água, percebe que na verdade ele não era um pato, mas um belo cisne.

Essa famosa e antiga história fez, e ainda faz, muitas pessoas refletirem sobre quem são, as dificuldades a serem superadas e as ajudam a entrar em contato consigo mesmas. Pois, afinal, quem nunca se sentiu um estranho no ninho em algum momento na vida?

As metáforas e analogias tem esse poder: de fazer com que possamos nos colocar no lugar dos personagens, dos objetos e situações e avaliar possibilidades diferenciadas para lidar com as circunstâncias da vida.

Uma estória está repleta de possibilidades abertas a serem capturadas pelas nossas escolhas. Cada um lê de acordo com suas próprias experiências e se torna coautor quando se apropria das palavras para recontá-la a alguém.

Muitas vezes o coelho pode ser o reflexo do comportamento do seu colega ao lado, que sempre busca uma vantagem em tudo o que faz, o dragão da montanha pode ser figurativamente aquele empenho que ficou perdido e agora é um problema que necessita de resolução, assim, os personagens encontram encaixe no dia a dia e muitas vezes proporcionam insights resolutivos.

E por falar em coelho, aqui vai uma estória na qual ele é o personagem principal.

O coelho é um dos animais mais espertos que existe. Ele consegue alimentar seus filhotes de uma maneira muito original. Talvez poucos animais sejam tão perspicazes em proteger a cria quanto o coelho.

Quando um coelho tem filhotes ele cava um buraco até um determinado ponto para despistar o predador e deixa esse buraco aberto, depois ele se distancia deste lugar e cava um outro buraco, coloca seus filhotes dentro e cobre com a terra para que nenhum outro animal ache seu ninho, sua toca.

Este bicho muito esperto sabe o tempo exato que os filhotes podem ficar enterrados sem que isso cause prejuízo à vida deles. E, por isso, tem esta prática para se alimentar, ficar forte e poder amamentar seus filhotes, os desenterrando cada vez que faz isso.

O coelho, assim, consegue despistar seus predadores naturais, que não descobrem onde seus filhotes estão enterrados porque sempre se deparam com um buraco vazio.

Ocorre que, por outro lado, toda esta peripécia logística poderia ser mais eficiente se o coelho não tivesse uma terrível falha: ele faz o mesmo percurso todos os dias! Nunca muda seu caminho.

Dessa forma, o predador não precisa ficar fuçando à procura dos filhotes de coelho que se encontram enterrados. Ele simplesmente fica no meio do caminho à espreita, esperando sua presa passar e a captura ou, ainda, segue o coelho até ver este desenterrar seus filhotes, podendo capturar todos ao mesmo tempo.

Assim, o coelho, que cria estratégias tão específicas para proteger seus filhotes, fica vulnerável diante de seu oponente, isso porque não consegue sair da sua zona de conforto e busca aquilo que já lhe é conhecido, familiar.

Poderíamos questionar: “Mas ele já teve uma excelente ideia e ainda tem que pensar a mais?” Essa é a questão para a reflexão! Não basta ter uma excelente ideia, é preciso ter uma visão sistêmica, enxergar o todo e buscar estratégias complementares para que tudo funcione adequadamente sem prejuízos.

A vida implica em cuidado e isso abrange o que é simples e ao mesmo tempo o que é complexo. Como proteger o que nos é mais caro se não mudarmos o caminho percorrido? A trajetória de hoje pode ser prejudicial amanhã.

Buscar sempre um novo caminho, manter o campo aberto para novas possibilidades e encontrar novas formas de concretizar ações e ser feliz é a chave para não ser capturado. Entregue-se à sua criatividade e abra novas portas!

Sobre o Autor

Prof. Dra. Beatriz Acampora
  • Doutora em Saúde Pública
  • Mestre em Cognição e Linguagem
  • Pós-Graduada em Arteterapia em Educação e Saúde
  • Pós-Graduada em Hipnose Clínica, Hospitalar e Organizacional
  • Pós-Graduada em Psicologia Existencial Humanista,
  • Pós-Graduada em Comunicação, Cultura e Linguagem
  • Pós-Graduanda em MBA Executivo em Coaching
  • Pós-Graduanda em MBA Executivo em Gestão de Pessoas e Recursos Humanos
  • Psicóloga (CRP 05/32030) / Jornalista / Arteterapeuta (AARJ 357)
  • Autora de diversos livros pelas editoras WAK, Chiado e Amazon

Contato: beatriz.acampora@gmail.com