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Tecnologias Digitais na Educação: subversão ou submissão

A controvérsia sobre a importância da presença das Tecnologias Digitais (computadores, Internet, scanners, Datashow etc.) nas instituições educacionais (educação básica e superior) já está, de certa forma, ultrapassada. Não cabe mais esse tipo de discussão, hoje, podemos afirmar, com certa margem de segurança, que a maioria dos profissionais envolvidos com a Educação tem consciência do quanto é necessário que alunos tenham contato com Tecnologias Digitais durante sua formação acadêmica.  Nesse contexto é importante entender por que, embora ofereça diversos recursos que possibilitam o surgimento de práticas pedagógicas inovadoras voltadas para a aprendizagem participativa e contextualizada o uso destas tecnologias, geralmente, continua servindo para perpetuar práticas educacionais pautadas na ação do professor e na reprodução do conhecimento? O encanto e fascínio que esses recursos digitais exercem sobre os jovens e sua grande penetração nos diversos segmentos da sociedade nos obriga a (re) pensar de que forma serão integradas ao cotidiano escolar. O uso da palavra “integrada” ao invés de “incorporada” é proposital, nosso entendimento é o de que “integração” tem relação com a parceria que se estabelece entre os educadores e os recursos digitais na promoção de propostas pedagógicas condizentes com a sociedade atual, enquanto que “incorporação” nos remete a ideia de submissão, ou seja, quando são simplesmente incorporados ao ambiente educacional esses recursos servem, apenas, para perpetuar metodologias que ali já existiam e que são, na sua grande maioria, pautadas em uma educação baseada na centralidade do professor. De que forma usaremos essas tecnologias? Para perpetuar as práticas pedagógicas do século passado? Ou para possibilitar aos nossos jovens uma educação que os prepare, de forma efetiva, para viver na sociedade atual e, mais ainda, que os tornem aptos a se adaptarem as mudanças que estão por vir. Nossos alunos vivem em um mundo digital, a facilidade que apresentam para utilizar os aparatos tecnológicos é um aspecto marcante nessa geração, para Prensky (2001), eles são os chamados nativos digitais essa classificação serve para caracterizar os jovens que utilizam os recursos tecnológicos e, de forma mais específica, os recursos digitais, de maneira muito naturalizada em seu cotidiano. Os nativos digitais falam e agem em consonância com o mundo digital no qual vive, a realização simultâneas de atividades como, digitar um texto, ouvir músicas, conversar on-line, postar (textos, músicas e vídeos) nas redes sociais ou em blogs não apresenta nenhum grau de dificuldade, pelo contrário, é algo muito comum no seu dia a dia, em contrapartida os imigrantes digitais, que são aqueles que não nasceram, mas obrigatoriamente, têm que se adaptar ao mundo digital sentem muita dificuldade em entender como é viver nessa sociedade. A proposta de educação baseada no protagonismo docente sofre cada vez mais críticas pois, não leva em consideração as características dos nativos digitais e nem a presença dos recursos digitais no ambiente acadêmico, Freire (2002) já questionava esse formato educacional mesmo quando ainda não tínhamos esse contexto e a classificava como “Educação Bancária” na qual o papel do professor é soberano e o único a ter ação no ato da aprendizagem, cabendo aos alunos uma postura passiva na qual os conhecimentos são, supostamente, “depositados” em suas cabeças. A possibilidade de colaboração, interatividade, compartilhamento e construção (individual e coletiva) de informações e conhecimentos que nos são ofertadas pelas TIC requerem uma nova proposta pedagógica, não mais baseada na ação exclusiva do professor, mas, na qual o aluno tenha participação ativa na construção dos seus conhecimentos.

As instituições de ensino atuais devem ter como principal característica a preparação integral de seus alunos, aqui entendida como uma formação que englobe aspectos relacionados não só aos conteúdos mais que contemple a formação de pessoas comprometidas com o bem da coletividade. Discutir a Educação na Sociedade da Informação passa também, por uma discussão do papel dessa instituição como um todo. Independente de que tipo de educação esteja em debate, é importante ressaltar que as instituições de ensino sempre foram um espaço privilegiado para a construção do saber de forma colaborativa e contextualizada, as Tecnologias Digitais, quando usadas de forma crítica, podem ampliar estas possibilidades. Os recursos digitais, quando usados de forma planejada podem favorecem a interatividade, colaboração e o aprendizado contextualizado, além dessas características esses recursos também são importantes no exercício da autoria, aspecto importante em uma proposta de educação na qual o discente deixe de ser mero espectador e passe a ter ação efetiva no processo educacional.  Sendo assim, temos de um lado os aparatos tecnológicos cada vez mais disponíveis nas instituições educacionais e de outro os alunos, em sua grande maioria, adaptados ao uso desses aparatos logo, falta apenas que os professores se apropriem dessas tecnologias em sua prática pedagógica para que possam proporcionar uma educação contextualizada e em consonância com as necessidades do século XXI.

 

 FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 32. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

 PRENSKY, M. Nativos Digitais Imigrantes Digitais. USA: De On the Horizon (NCB University Press, Vol. 9 No. 5, 2001.  Versão traduzida disponível em      <http://www.colegiongeracao.com.br/novageracao/2_intencoes/nativos.pdf> Acessado em 06/09/2017.

Sobre o Autor

Prof. Vicente Willians

Mestre em Educação pela Universidade Estácio de Sá UNESA/RJ na linha de pesquisa Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nos processos de ensino e aprendizagem. Coordenador do Núcleo de Tecnologia Educacional (NUTE) do Colégio Cruzeiro de Jacarepaguá. Professor dos cursos de especialização e graduação nas universidades UNESA, SENAC e Candido Mendes, ministrando aulas nas disciplinas da área de Administração, Informática e Educação nas modalidades presencial e on-line. Também elabora e ministra cursos na área de Tecnologia Educacional para professores de escolas públicas do Rio de Janeiro e do Mato Grosso.  Palestrante da APPAI.