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Como superar o desafio da mudança

“Tente mover o mundo – o primeiro passo será mover a si mesmo”. A citação de Platão, inscrita na obra “A República”, evidencia um movimento difícil e temido por tantas pessoas: a mudança. Seja ela cultural, tecnológica ou estrutural, a mudança é um processo comum de reinvenção ou adaptação de qualquer pessoa ou organização a um novo contexto que se impõe.

No ambiente profissional, esse desafio se torna ainda maior. Isso porque, além da própria organização, as mudanças atingem diretamente todos os colaboradores, o que pode acabar gerando muito desconforto e insegurança.

Por isso, entender que há um ciclo previsível na mudança ajuda a reduzir a incerteza diante do que é novo, a lidar com a ansiedade natural que emerge quando falamos de transformação e, mais, abre a possibilidade de novas e positivas oportunidades.

De acordo com a coach executiva Eva Hirsch Pontes, que há 30 anos atua no desenvolvimento de equipes, navegar no mundo exponencial requer deixar certezas para trás e abraçar o desconhecido de corpo e alma:

- No papel, é fácil, mas na vida real a coisa muda de figura. Nossos cérebros são programados para interpretar incertezas como ameaças à nossa sobrevivência. Porém, os ciclos da vida nos convidam a olhar quem nós somos naquele momento e em quem estamos nos transformando. Aprender, então, a enxergar as mudanças com naturalidade faz parte de amadurecimento do indivíduo. E compreendendo melhor o nosso papel nesse ciclo, abrimos espaço para o crescimento.

Conheça as quatro fases da mudança

O psicólogo sueco Claes Janssen desenvolveu um modelo chamado “Os Quatro Quartos da Mudança”, que mostra que a forma de lidar com a mudança tem etapas distintas, nas quais é comum verificar alguns comportamentos específicos de cada fase.

Imagine, por exemplo, uma casa de quatro cômodos interligados, em que um dá passagem ao outro.  Esses cômodos simbolizam as passagens necessárias para se completar um ciclo de transição.

Quarto 1: Contentamento

O primeiro quarto é o do Contentamento, onde a energia é boa, os indivíduos estão satisfeitos e motivados com o que têm.  É um lugar de satisfação. Tudo está arrumadinho. Ou seja, é gostoso ficar lá dentro, pois ele representa a zona de conforto. É o lugar da acomodação. 

Quando, por alguma razão, esse quarto se desarruma, o próprio ciclo encarrega-se de mover os indivíduos para o próximo quarto, o da Negação. O gatilho dessa mudança de condição pode estar ligado a causas externas, como mudança de contexto, problemas com emprego, relacionamentos, etc, ou a questões internas vinculadas à própria necessidade individual de desenvolvimento.

Quarto 2: Negação

O quarto da Negação tem uma característica curiosa: as pessoas não conseguem reconhecer que estão nele. Para todos os efeitos, essa passagem de quarto não é sentida. Emocionalmente, ainda há um apego à ilusão de que o Contentamento ainda existe e que alguma coisa acontecerá para restituí-lo.

No entanto, as condições mudaram e exigem adaptação. E, se alguém disser o contrário, além de negar a negação, o indivíduo costuma oferecer uma lista de justificativas para explicar os “culpados” externos por essa condição que julga provisória.

De fato, ela é transitória, já que se trata de uma mudança. E, como as transições são feitas em movimentos previsíveis, em vez de retornar para o quarto do Contentamento, o próximo cômodo que o espera é o da Confusão.

Quarto 3: Confusão

Nesse terceiro cômodo, a Negação dá lugar à consciência da Confusão. É comum o indivíduo perder o foco e mergulhar em si mesmo à procura da confirmação de sua identidade, que está passando por transformações. É uma fase em que há uma reconstrução da autoimagem, sabendo e sentindo que a mudança é necessária, mas ainda sem entender bem qual ou como.

Essa é a fase em que, geralmente, as empresas buscam as consultorias, para ajudar a construir novas respostas. A tarefa aqui é abraçar o novo, mergulhar de cabeça na aceitação do “não saber” para fazer as perguntas que poderão ajudar no desprendimento do passado, e ver emergir alternativas de ação para o futuro. Aí, sim, começa a caminhada rumo ao último quarto.

Quarto 4: Renovação

O quarto da Renovação é o espaço da possibilidade. É o lugar de abraçar o novo, de experimentar e conviver com erros e acertos que fazem parte de qualquer nova tentativa. Quando todo esse ciclo é entendido, fica mais fácil compreender que a Renovação só vem depois da Confusão. Não é possível renovar a partir da negação. Portanto, não dá para pular um quarto!

Mudança como um movimento de adaptação

É libertador compreender o modelo para que se possa navegar nele com maior serenidade. E os colaboradores de uma empresa em fase de mudança precisam enxergar as transformações como oportunidades de evolução.

Nesse momento, o recomendável é ajudar todos a enxergarem que a mudança é um movimento adaptativo de resposta ao contexto que está se transformando. Ou seja, a vida se dá em ciclos e é fundamental estar aberto para que o caminho continue sendo percorrido rumo à conquista dos objetivos, sejam eles individuais ou coletivos. E a sobrevivência empresarial depende dessa adaptação ao ambiente.

Segundo Eva Hirsch Pontes, o melhor a se fazer nesses casos é demonstrar a quem ainda se agarra ao passado que a mudança não invalida ou desvaloriza tudo o que foi feito até aqui:

- Uma identidade permanente não existe. A sensação de ser e de pertencer vai mudando ao longo da vida, inclusive na vida corporativa – afirma a coach, que também dá uma dica:

- Da próxima vez que você se sentir confuso, lembre-se, pode não ser confortável, mas pode ser um ótimo sinal de que uma mudança positiva, enfim, começou!

Outro Strip

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